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sábado, 22 de setembro de 2007

Transparência

Do céu tomba o macio branco

Que se enrosca nas voltas

Deste sol envergonhado

Estendendo o seu pestanejar

Sobre o rosto macerado do tempo

Recolhem-se flores

Adormecendo nas gotículas humedecidas

De um olhar terno

Solta-se o perfume dos afectos

Que enlaçam o pulsar

A pele cede ao arrepio breve

Enquanto as mãos

Tecem uma grinalda

Sem penas nem lágrimas

Quebra-se o nó

Que asfixia os sentidos

De um corpo adormecido

Soltando-se dos lábios da alma

A suavidade de um cântico

Que se eleva aos céus do Ser

Deixando o aroma do amor

Pairando no leito

Onde todos os afectos se sublimam

Enquanto a voz do amor cala a lágrima

Que se solta no seio da emoção

Nem o tempo nem a hora existem

Quando sobre cada coração

Se soltar a ternura deste amar

Sem nada pedir em troca

Apenas amar até que sobre mim

Caia a noite sem regresso.


1 comentário:

SentidoS disse...

..."Nem o tempo nem a hora existem
Quando sobre cada coração
Se soltar a ternura deste amar"...adorei esta passagem, perfeito mesmo, como um momento suspenso no tempo...

Beijo Sentido